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quinta-feira, 28 de maio de 2020

Delírios de um anormal (1978)

Produção Nacional. Postagem em homenagem, a um dos melhores cineastas do terror, falecido recentemente. Dr. Hamilton (Jorge Peres), um psicólogo interessado em assuntos  sobrenaturais, é casado com sua amada esposa Tânia (Magana Miller). Com o passar do tempo, Hamilton passa a ter pesadelos com Zé do Caixão, que quer levar Tânia para gerar seu descendente perfeito. Seu colega de clínica, Dr. Adolfo Hansen (Jayme Cortez) convida José Mojica Marins, criador de Zé do Caixão, para convencer  Hamilton, de que o personagem não existe, sendo um fruto de sua imaginação hiperativa. 


Para este filme em particular, Mojica reuniu inúmeras cenas de seu trabalho, e juntou-as com uma pequena filmagem para contar a história do cientista Dr. Hamilton, que sofre de pesadelos terríveis, nos quais vê o ícone do terror cult "Coffin Joe" (interpretado por Zé do Caixão) tentando fugir com sua esposa Tânia. O médico que trata Hamilton, convida Zé para auxiliá-lo, acreditando que o criador de Coffin Joe pode ter a chave para curar seus pesadelos, o que, por sua vez, acaba dando a Mojica uma ideia para seu próximo filme. 


Com a maior parte do tempo gasto pelos pesadelos de Hamilton, que são essencialmente uma compilação de imagens esquisitas aleatórias, tiradas de contexto (imagens essas, que jamais fariam sentido em qualquer contexto). Para a maioria dos fãs de terror nacional, "Delírios de um anormal" é uma experiência incrivelmente tediosa, sem sentido e colossal perda de tempo, especialmente para quem já viu a maioria dos filmes mais conhecidos de Mojica, porém, para nós do blog que sempre conseguimos extrair alguma coisa positiva, "Delírios" serve bem para aqueles iniciantes na obra do grande mestre (me lembro de ter comprado o DVD nas Lojas Americanas por apenas 5 reais!). 


Se ainda não viu "A meia-noite levarei sua alma"/"A meia-noite encarnarei no teu cadáver"; "Delírios" pode funcionar muito bem como aperitivo inicial, para a apreciação do maior ícone do terror, que já existiu fora do eixo EUA/Europa. Nota 8. 

Direção de José Mojica Marins .

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Garotas da SS (1977)

Filme italiano, do gênero Nazi exploitation. Autoridades nazistas de alto escalão, com a intenção de erradicar traidores que planejam derrubar seu líder, recrutam e treinam um grupo de belas prostitutas, cuja missão é usar todos os meios necessários, para descobrir conspirações contra o Führer. Dirigido por Bruno Mattei, diretor associado a sub-produções do cinema italiano/pseudo-americano. Ele fez alguns clássicos, agradavelmente divertidos, como a bobagem pós-apocalíptica RATS (1984). SS Girls não está no mesmo nível disso, na verdade é um esforço razoável, dentro de um gênero medíocre em geral. 


O principal problema, é a grande quantidade de cenas entediantes de soft-core, e a ausência da violência lasciva, para animá-lo. Existem alguns personagens interessantes, um deles é Frau Inge (Marina Daunia), sádica e má; Hans Schellenberg (Gabriele Carrara), outro vilão e um dos mais cruéis da história cinematográfica; Madame Eva (Macha Magall), está bela e fatal etc.


A produção apresenta uma série de cenas eróticas, com toneladas de nudez feminina frontal, e a ocasional cena sádica com chicotadas. Infelizmente, tudo isso logo se torna uma coisa muito cansativa, e o filme rapidamente perde a vibração de seus momentos anteriores. Um último ato, no qual quase todo mundo se mata, depois de ouvir falar da morte de Hitler, garante, pelo menos, algum valor de culto ao filme, mas no geral, como na maioria das produções sobre nazistas, falta sempre qualidade ao resto do conteúdo. 


Claramente, os produtores não tinham a mesma quantia de dinheiro para gastar em design de produção e bons atores aqui, e seu diretor era conhecido por trabalhar essas limitações a seu favor, freqüentemente cruzando o limite do grotesco. Ainda assim, é curioso e recomendável para amantes do trash em geral. Nota 7,5.

Direção de Bruno Mattei.

sábado, 15 de junho de 2019

Reformatório de Mulheres (1986)

Estrelando 3 musas dos filmes B americanos: Linda Carol (CRIMES DO DESEJO), Wendy O Williams (falecida roqueira e vocalista dos PLASMATICS) e Sybil Danning (HERCULES). A garota Jenny (Linda Carol) é enviada para uma escola-reformatório de mulheres. O local é dirigido pelo cruel diretor e sua mulher Edna (Pat Ast). Jenny terá um longo caminho até tentar escapar, porém ela também terá que lidar com "Charlie" (Wendy OW), a valentona. 


"Reform School Girls" é tecnicamente um filme estilo Women-in-Prison, mas não espere nada muito pesado/erótico como nos filmes de Jess Franco. O diretor Tom DeSimone quis dar um toque mais leve aqui, projetado para ser divertido e não ofensivo. Embora ele forneça a maioria dos ingredientes-padrão do trash/sexy americano - como lutas eróticas, cenas de duchas comunitárias, vestuário mínimo e abuso físico - tudo é feito de forma consciente e amenizada. 


As mulheres peitudas passeiam em seu dormitório em lingerie sexy, os detentos mais sujos e os membros da equipe são caricaturas grotescas, o diálogo é deliberadamente insípido ('Eu pensei que cheirava peixe'), e o enredo é tão extravagante quanto poderia ser. Sejamos sinceros: qualquer filme que tenha Wendy O. Williams (RIP), no topo de um ônibus, em rota de colisão com uma matrona sádica, gorda, com cara de espingarda, chamada Edna, jamais poderá ser levado a sério. 'Reformatório..." é um clássico cult, sobre prisões femininas (milhares de filmes com essa temática, foram feitos ao longo dos anos) e que é prazeroso de se assistir. 


Wendy O W está completamente hipnotizante, embora sua atuação seja muito ruim para dizer o mínimo. Ainda assim, o filme consegue entreter com sua premissa completamente inacreditável. Pat Ast e Linda Carol, fazem desse filme o que ele é, e afinal....por que Sybil Danning aparece na capa do DVD???, eu nunca vou saber, ela mal aparece no filme rsrs. Nota 7,5.

Direção de Tom DeSimone.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Hospital da Corrupção e dos Prazeres (1985)


Para quem não conhece, o termo "boca do lixo", se refere a uma região do centro da cidade de São Paulo, localizada no bairro da Luz. Notabilizou-se por ter abrigado um pólo cinematográfico desde a década de 1920, quando empresas como a Paramount, a Fox e a MGM se instalaram na região. Nas décadas seguintes, essas companhias atraíram distribuidoras, fábricas de equipamentos especializados, serviços de manutenção técnica e outras empresas do ramo cinematográfico para as redondezas. 



Entre o fim dos anos 1960, e o começo dos anos 1980, a Boca do Lixo tornou-se um reduto do cinema independente brasileiro, desvinculado dos incentivos governamentais. Alguns cineastas, como Carlos Reichenbach, Luiz Castelini, Alfredo Sternheim, Juan Bajon, Cláudio Cunha, Julio Bressane, Rogério Sganzerla ou Walter Hugo Khouri, tinham clara proposta autoral em seus filmes, mas a produção da Boca ficou mesmo caracterizada pelos filmes baratos e que tinham forte apelo sexual. Sobre o filme aqui citado - Fiscalização sanitária aparece em hospital suspeito de corrupção e atos ilícitos. Mas, ao chegar no prédio, acaba encontrando algo bem pior e repugnante. Em meio as orgias sexuais que ocorrem no local, um grupo tentará desmontar este esquema e prender a quadrilha. 



Boca do lixo pura do cinema nacional, que inclui cenas bizarras de sexo em cenários repugnantes, incluindo até um açougue. Com Osvaldo Cirillo, Sandra Midori e Andrea Pucci. Direção de Rajá de Aragão.